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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

SEÇÃO VI DA SESSÃO: O SILÊNCIO DO SOM DE CEM SONETOS - A PRIMAVERA DA INFÂNCIA

 

Obra de Rodrigo Antônio de Haro (10cm x 13cm).

Sou apaixonado pela minha Ilha de Santa Catarina por ter as quatro estações do ano perfeitamente definidas e por ser à primavera, mais bela ainda com luz magnética, em cujo poente ou na aurora denotam-se matizes de luzes e cores as mais exóticas da atmosfera de nosso maravilhoso Planeta Azul. Dizia o poeta, meu amigo Marcos Konder Reis, que em nosso céu era possível ver a cor amarelo canário em certos ocasos outonais, com um gradiente de concordância às floradas dos guapuruvus (garapuvus – ao nativo), amarelas ouro.  À primavera, as flores são ainda mais abundantes, desde os ipês amarelos, ipês roxos, jacarandás-mimosos e jacatirões (ou manacás-da-serra) em arborizações de logradouros, até aos ajardinamentos das amplas praças públicas e jardins residenciais com azaleias, acácias, bougainvilles, alamandas e outras.  Assim, se engalana nossa cidade, lotada de flores que formam verdadeiros tapetes, roxos, amarelos e multicoloridos no solo sob essas árvores. Mas a dádiva celestial maior, são os frutos numa profusão de espécies, de sabores, cores e aromas que compõe uma enormidade de tipos em sucessivos tempos primaveris, adentrando o verão, mais de vagar. 
Hoje 22/09/2017, homenageio não somente a nova primavera, mas também a nossa augusta Ilha primaveril cheia de encantos que os perde no verão de suas quarenta e duas praias paradisíacas para onde a afluência de turistas é imensa e embaraçosa aos habitantes permanentes. Salve a primavera e salve a nossa ilha de idílios.




A PRIMAVERA DA INFÂNCIA

Sai o inverno, e a primavera
Chega com o doce hino
Do sabiá em seu trino,
Que as primeiras horas dera.

Tempo de flores à espera
Do sazonal e divino
Fruto, que quando menino,
Furto de fruto era mera

Peraltice sem maldade   
Da minha saudosa idade
Com ingenuidade afim.

Hoje essa estação me invade
Com a sacrossanta saudade
Do moleque que há em mim.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

SEÇÃO V DA SESSÃO: O SILÊNCIO DO SOM DE CEM SONETOS

Luz do Espírito Santo - lamparina portuguesa 

MEU SER É UM MISTÉRIO

Como um ateu que acredita em nada,
Eu cumpro a minha vida de arremedo,
Trazendo em mente a luz do próprio medo
E no meu ser, a alma imaginada.

Trilho sozinho a tortuosa estrada
A palmilhar no rumo de um enredo
De algum suposto script - segredo
Da liberdade que me foi negada.

Quem sou, já não importa mais saber.
Eu sei apenas ser um certo ser
Como outros tantos trilhando o caminho

Contra o destino a ater-me ao dever
De ir na trilha, cego, sem saber
O ser que sou que não sei e adivinho.


HOJE (16/09) É O DIA INTERNACIONAL PARA A PRESERVAÇÃO DA CAMADA DE OZÔNIO. 
VEJA VÍDEO: A NATUREZA NÃO ERRA



terça-feira, 5 de setembro de 2017

SEÇÃO IV DA SESSÃO: O SILÊNCIO DO SOM DE CEM SONETOS


Como da postagem anterior homenageei o Soldado Brasileiro, nesta devo homenagear um fraterno amigo que ressuscitou ontem ainda, depois de notícias no Brasil e nos Estados Unidos constando sua morte.
Trata-se do meu amigo  Rodrigo Antônio de Haro, brasileiro de nacionalidade francesa ou francês de nacionalidade brasileira – sei que os pais brasileiros tiveram o filho na França no tempo da guerra e lá o batizaram, fugindo para Portugal à época de Salazar e de lá para o Brasil em navio que à volta, os alemães o torpedearam – a vida do nosso protagonista já começa como um romance, mas não precisa dar um fim antecipado...
Rodrigo é um artista multifacetado com comprovação ou certificado de excelência em artes plástica como pintor com exposição nas maiores capitais do mundo e como muralista comparado ao espanhol Antoni Gaudi, de nossa Capital. É poeta também, titular de uma cadeira da Academia Catarinense de Letras, com mais de vinte livros editados.
Ontem, depois de reunião com a família e o plantonista da Unidade de Terapia Intensiva Coronariana que sugeriu tirá-lo da Unidade para uma morte mais digna junto aos seus, no apartamento do hospital, Rodrigo abriu os olhos e reconheceu um irmão. Sim, foi levado ao apartamento onde pediu sopa de feijão e gelatina, comeu, pediu repetição, mas não foi atendido. Hoje manifestou desejo de falar comigo e fui visitá-lo; e sabem o que ele me solicitou? Pediu-me para que o recitasse uma décima do cancioneiro português e contasse uma das histórias das promessas ao São Gonçalo de Amarante (casamenteiro das velhas) que há anos expliquei a ele sobre essa tradição açoriana em nossa região litorânea ao santo dos cachaceiros, cujas promessas são pagas ao som da viola em versos de improviso onde sobre o altar se colocava o santo e uma garrafa de cachaça com um copo, e a medida que os pares dançavam de mãos dadas, em sapateados, revezando-se na fila - o primeiro ia para o fim depois do casal se ajoelhar à frente do santo, e o homem do par, tomar um gole de aguardente após depositar umas moedas num prato à espera. Cantei alguns versos desse gênero a Rodrigo, que só não riu, mas tenho certeza que se alegrou bastante. Depois pediu que eu voltasse sempre, e que pedisse ir visitá-lo os amigos comuns, pois a conversa agrada-lhe e o distrai bastante - foi o que me disse. Estamos em corrente de orações por sua melhora. Junte-te aos bons que serás um deles!
Rodrigo - foto da web

Vamos ao soneto da seção e da sessão:
O AMOR 

Fenece a formosura de uma flor.
O tempo cala como sempre; e vai
Sob os desígnios que lhe deu o Pai.
Assim é a vida! - Na alegria e dor.

A beleza vital de uma donzela
É passageira – foi e será assim.
Teve começo, o ciclo terá fim
Na complexidade tão singela.

 Um só fator eterno existe apenas
Ao ser, maior que as coisas terrenas,
Que é o amor à outra criatura;

 Talvez porque no amor inconsciente
O ente humano projeta uma semente
Para ter filhos, além do que ele dura.